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Wanderley Andrade - Entrevista ao Blog da Ciça

Fonte: Blog da Ciça - http://www.ceciliaasanta.com.br/?p=377 - 03 de maio de 2011

Wanderley Andrade, ele entende de arrocha

Você pode não entender o nome dele em um line-up de um festival de rock independente, mas acredite, faz todo sentido. Principalmente por essas bandas do Nortão do País, terra esquecida por Deus, onde o rock faz a curva e se encontra com as mais peculiares manifestações sonoras da terra do pau-brasil.

Exemplificando, basta citar uma das principais atrações da 8ª edição do Tendencies Rock Festival, que começa esta semana. O paraense Wanderley Andrade vem a Palmas para lançar seu novo trabalho 'Acochadinho' (DVD/CD) que mistura os ritmos calypso, bachatta e o arrocha e também para surpreender a todos.

O artista, performático e defensor do brega, canta Beatles, Roy Orbirson e Little Richard em versões que parecem que saíram direto de uma jukebox amazônica. No momento em que os ritmos brasileiros do Pará vem ganhando espaço na mídia nacional e um certo reconhecimento inexplicável e extremamente fajuto dentro do universo 'indie' nada mais sensato do que um festival nascido na efervescência do movimento brega/calypso/arrocha incluir um artista tão genuíno quanto Wanderley em sua programação.

Nesta entrevista, o mestre paraense fala sobre como foi seu primeiro contato com o rock'n'roll e como nasceram suas influências próprias da música regional brasileira, assim como a mistura desses dois estilos aparentemente tão diferentes, porém tão similares, em sua música.


011Você é considerado o mais importante representante do brega pop calypso, que é um ritmo regional brasileiro que vem do Pará. Porém, desde o começo de sua carreira suas influências se misturam com o rock. Porque você optou por misturar os dois ritmos em suas canções e não apenas seguir um deles?

As pessoas e a imprensa dão essa importância, fico feliz por saber que nesse contexto, consigo carregar essa responsabilidade.

Na posição de regionalismo, discordo, pois, esse ritmo, vem de Trinidad e Tobago e nós no Norte fizemos algumas adaptações entre harmonia e inserções de instrumentos que na raiz não existia. Então, ficou um ritmo que não só o Brasil, mas que outros continentes, como América Latina e a África consomem.

Quanto a mistura dos dois gêneros, rock e calypso, é que tem tudo a ver com o rock'n'roll, se você observar a batida da caixa é puro twister de Chuck Berry, Little Richard e outros.....Então dentro das minhas acepções, estou literalmente naquilo que de fato eu gostaria de estar.

Como e quando foi seu primeiro contato com o rock?

Desde a idade de 13 anos, quando eu ouvi a primeira vez, Elvis Presley cantando 'Hound Dog' e em seguida, Beatles com 'Girl' – a primeira canção que cantei. Também não esqueço, um dos sucessos na época, no Brasil, e hoje é um grande admirador do meu trabalho, Reginaldo Rossi, com a canção 'Perdi a Graça'. E claro, tenho que citar Raul Seixas. Regravei três canções do nosso Maluco Beleza, o Rei do Rock Brasileiro.

Sua performance ao vivo é tão importante nos seus shows quanto sua música. Até onde você acha que o carisma de um artista é importante para o diferenciar em seu trabalho?

Entendo que quando você se propõe a fazer um trabalho, faça-o com amor, é o que faço. Então, me visto de emoção dentro das canções e aí, a performace sai naturalmente.

Você é um artista independente e tem reconhecimento principalmente na região Norte através do seu trabalho lançado na base do 'Do It Yourself' (faça você mesmo), que é basicamente a filosofia do universo independente do rock brasileiro atual. Qual seu contato com a cena independente do rock nacional? Está por dentro dos festivais, das bandas? Do movimento que está acontecendo?

Hoje felizmente, estamos vivendo esse momento, em um mundo globalizado, onde existe a web. Sabemos que temos essa divulgadora das nossas obras, e que é bem mais abrangente do que há um tempo atrás. E quanto ao Rock Brasileiro, ele (rock) morreu em 1959, o que temos no momento é simplesmente o reflexo dos tempos áureos desse movimento que nos deu a base que temos hoje.

Você está acostumado a fazer shows pelo Brasil inteiro, mas geralmente par ao público que está mais ligada com sua música. O que você está esperando do público do Tendencies Rock Festival?

Dado as suas devidas proporções, 'O açúcar é doce na boca de qualquer pessoa'. Quero dizer, que quem escreve e canta o amor, este se eterniza, pois é o sentimento mais nobre que temos e é inconfundível em qualquer continente, e a musica que faço é universal.

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